Psicoterapia individual, casal, família, grupo, corpo, desenvolvimento emocional ou natureza: diferentes contextos podem ajudar-nos a começar por lugares diferentes.
Na semana passada escrevi sobre uma ideia que se tornou central na forma como hoje compreendo a psicoterapia: não precisamos todos do mesmo caminho para mudar.
Mas essa ideia deixa imediatamente uma nova pergunta.
Se existem diferentes caminhos, como sabemos por onde começar?
Durante muito tempo, a resposta parecia simples. Quando alguém precisava de ajuda psicológica, procurava uma consulta individual. E, para muitas pessoas, esse continua a ser exatamente o lugar certo para começar.
Ao longo dos anos, porém, fui percebendo que nem todas as dificuldades se mostram da mesma maneira, e nem todas as pessoas conseguem aceder à mudança pela mesma linguagem.
Há pessoas que precisam de um espaço só seu.
Há sofrimento que se organiza no espaço entre duas pessoas e precisa de ser trabalhado como relação de casal.
Há acontecimentos que afetam uma família inteira, embora cada membro os viva de forma diferente.
Há padrões que se tornam particularmente visíveis dentro de um grupo.
Há pessoas que já compreendem profundamente aquilo que lhes acontece, mas sentem que o corpo continua em alerta.
E há outras para quem o corpo precisa de ser cuidado primeiro. Quando a ativação é muito intensa, pode ser difícil pensar com flexibilidade, organizar a experiência ou encontrar espaço interno para compreender. Nesses momentos, criar primeiro alguma regulação e segurança pode tornar possível o trabalho cognitivo que vem depois.
Há crianças que comunicam através do brincar, do desenho, do movimento e da imaginação.
E há experiências que se tornam mais concretas e vivíveis quando entram em relação com a natureza.
Foi por isso que a PsiMater deixou de se organizar em torno de uma única forma de acompanhamento.
Hoje penso nas diferentes propostas como portas.
Não como caixas onde colocamos as pessoas. Não como identidades fixas. Mas como lugares possíveis por onde podemos começar.
Nem todas as portas respondem à mesma pergunta
Algumas portas dizem respeito a quem participa no processo: uma pessoa, um casal, uma família ou um grupo.
Outras dizem respeito à linguagem ou ao contexto que precisa de entrar com maior força: a palavra, o corpo, a relação, o símbolo, a criatividade ou a natureza.
Por isso, as portas não são compartimentos separados. Podem cruzar-se.
Uma pessoa pode realizar psicoterapia individual e integrar o Yoga Restaurativo Terapêutico.
Um casal pode ter sessões conjuntas e momentos individuais ligados ao mesmo tema relacional.
Uma família pode trabalhar online ou recorrer à natureza quando esse contexto fizer sentido.
Uma pessoa pode começar num grupo e, mais tarde, precisar de um espaço individual.
A natureza pode ser utilizada com pessoas, casais, famílias ou grupos.
A primeira porta pode ser um espaço só nosso
Psicoterapia Individual Online
Há momentos em que precisamos de um lugar onde possamos parar e olhar para aquilo que estamos a viver sem termos de cuidar da reação de mais ninguém.
A psicoterapia individual pode fazer sentido quando precisamos de compreender uma dificuldade, organizar a nossa história, atravessar uma perda ou uma mudança, trabalhar ansiedade, tristeza, exaustão, bloqueio, padrões relacionais ou experiências difíceis.
Nesse espaço, utilizo diferentes linguagens de acordo com aquilo que a pessoa e o processo vão pedindo: palavra, corpo, imaginação, símbolo, criatividade e experiências terapêuticas.
Não existe uma sequência rígida. Existe uma pessoa e um percurso que se vai construindo com ela.
A disponibilidade para novos acompanhamentos individuais é reduzida. Por isso, uma primeira consulta destinada a psicoterapia individual só é marcada quando existe possibilidade real de continuidade.
Quando o objetivo é perceber qual o apoio mais adequado, a primeira conversa ou consulta tem uma função de orientação. Essa orientação não fica limitada às portas da PsiMater. Se fizer mais sentido outro tipo de resposta, por exemplo avaliação psiquiátrica, aconselhamento parental, acompanhamento para um filho, outro tipo de psicoterapia, uma especialidade diferente ou um contexto presencial, procurarei sugerir o encaminhamento que, naquele momento, me pareça mais adequado à situação.
Por vezes, aquilo que precisa de ajuda está entre duas pessoas
Psicoterapia de Casal Online
Nem todas as dificuldades podem ser compreendidas olhando apenas para um dos membros do casal.
Há sofrimento que vive no espaço entre as duas pessoas: na forma como se aproximam e se afastam, como pedem aquilo de que precisam, como reagem ao silêncio, ao conflito, à crítica, à distância ou ao medo de perder o outro.
O processo começa por momentos conjuntos, nos quais procuramos compreender quais são os temas que precisam de ser trabalhados e construir um acordo sobre aquilo que o casal deseja compreender e transformar.
Pode haver momentos em que encontro individualmente cada membro para aprofundar o mesmo tema que está a ser vivido na relação. Não são duas psicoterapias independentes: são momentos individuais integrados num processo relacional comum.
Cada pessoa leva para o casal a sua história, os seus medos, as suas formas de proteção e aquilo que aprendeu sobre proximidade, conflito, confiança e perda.
Depois, o casal volta a reunir-se e observamos o que se tornou possível compreender e viver de outra forma.
Por vezes, é a família inteira que precisa de ser acompanhada
Psicoterapia Familiar, online ou na natureza
Há acontecimentos e dificuldades que não pertencem apenas a uma pessoa.
Uma perda. Uma doença. Uma separação. Uma mudança importante. Um conflito prolongado. Uma experiência potencialmente traumática. Ou um assunto que passou a organizar a vida e as relações de toda a família.
Todos viveram alguma coisa em comum. Mas não necessariamente da mesma maneira.
Um membro fala e procura proximidade. Outro cala-se. Alguém tenta proteger todos. Outro afasta-se porque não consegue suportar aquilo que sente. E, pouco a pouco, a forma como a família tenta lidar com a dificuldade pode começar a criar novas dificuldades.
Na Psicoterapia Familiar procuramos compreender o que aconteceu a esta família.
Como foi vivido por cada pessoa.
O que mudou depois.
O que deixou de conseguir ser dito.
Que medos, mágoas ou formas de proteção apareceram.
Como a comunicação se organizou em torno do problema.
E o que a família precisa para construir uma forma diferente de estar junta.
O trabalho pode envolver momentos com toda a família. Pode ser necessário criar condições para que diferentes versões da mesma experiência possam ser escutadas, trabalhar a comunicação ou aproximar-se de marcas traumáticas familiares com segurança.
Também podemos perceber que um ou mais membros precisam de consultas individuais para trabalhar dimensões específicas. Isso não significa que o problema afinal pertença àquela pessoa. Significa que existem dimensões familiares e dimensões individuais que podem precisar de contextos diferentes.
A Psicoterapia Familiar pode decorrer online ou na natureza. A escolha depende da família, do tema, da mobilidade, da segurança e do tipo de experiência que poderá ser mais útil.
Psicoterapia Familiar não é o mesmo que Desenvolvimento Emocional para Crianças e Famílias
Na Psicoterapia Familiar trabalhamos uma família específica e uma questão concreta que está a afetar a sua história, organização ou relações.
Nos grupos de Desenvolvimento Emocional, várias crianças e respetivos cuidadores trabalham competências, recursos e temas de crescimento emocional e social num contexto grupal continuado.
Uma proposta parte de uma dificuldade familiar concreta. A outra pode ser procurada mesmo quando a criança não apresenta um problema, porque a família valoriza o desenvolvimento emocional, social e relacional.
Há coisas que só conseguimos descobrir quando existem outros à nossa volta
PGP Online, Psicoterapia de Grupo PsiMater
Um grupo terapêutico é uma pequena amostra da vida.
Quando estamos num grupo, começam naturalmente a aparecer algumas das formas como também estamos nas relações fora dele: aproximamo-nos, afastamo-nos, esperamos, interrompemos, ficamos em silêncio, tentamos agradar, tememos ocupar demasiado espaço ou sentimos que nunca existe espaço suficiente para nós.
A diferença é que, num grupo protegido, podemos observar essas dinâmicas enquanto acontecem e experimentar algo diferente.
O grupo não substitui a psicoterapia individual. E a psicoterapia individual não é uma versão mais profunda do grupo. São contextos diferentes.
A entrada num PGP é individualizada. Quando a pessoa já é acompanhada na PsiMater, pode existir informação suficiente para uma integração direta. Quando é uma pessoa nova, uma conversa breve por WhatsApp pode ser suficiente. Se houver dúvidas clínicas ou de adequação, realiza-se primeiro uma consulta de avaliação.
Por vezes, o corpo vem depois da compreensão. Outras vezes, precisa de vir antes.
Yoga Restaurativo Terapêutico Online
Há pessoas que chegam depois de muito pensar, compreender e organizar a própria história. Sabem por que reagem de determinada maneira, mas o corpo continua tenso, acelerado, bloqueado ou desligado.
Nesses casos, a compreensão já existe. O que falta pode ser uma experiência corporal diferente.
Mas existe também o movimento inverso.
Quando o corpo está num estado de ativação muito intensa, pode ser difícil parar, pensar com flexibilidade, organizar aquilo que aconteceu ou utilizar plenamente a lógica e a reflexão. Pedir simplesmente à pessoa que compreenda mais pode não ser o primeiro passo mais útil.
Por vezes precisamos, primeiro, de ajudar o organismo a encontrar algum chão: orientação, respiração, apoio, descanso, movimento ou sinais suficientes de segurança. Não para evitar o pensamento, mas para criar condições para que o pensamento possa voltar a ter lugar.
É nesse sentido que o Yoga Restaurativo Terapêutico faz parte da PsiMater.
Não como uma aula de exercício ou uma proposta de desempenho físico, mas como uma linguagem terapêutica através da qual podemos desenvolver consciência dos estados internos, capacidade de parar, contacto com o corpo, recursos de regulação e maior autonomia.
Para uma criança, a porta raramente é apenas a conversa
Desenvolvimento Emocional para Crianças e Famílias, online
Uma criança não é um adulto pequeno e não comunica apenas através das palavras.
Comunica brincando, desenhando, movendo-se, criando personagens, inventando histórias, aproximando-se, afastando-se ou ficando em silêncio.
Nos grupos de Desenvolvimento Emocional, as crianças podem construir recursos para reconhecer emoções, esperar pela sua vez, escutar, participar, lidar com dificuldades e desenvolver competências sociais e relacionais.
Os pais e cuidadores também fazem parte deste processo. Não para falar pela criança ou corrigir aquilo que ela expressa, mas para aprender a escutar, apoiar e oferecer continuidade fora das sessões.
Muitas famílias procuram estes grupos não porque exista um problema, mas porque reconhecem a importância do desenvolvimento emocional e querem dar às crianças recursos que possam acompanhá-las ao longo do crescimento.
Há experiências que precisam de acontecer num lugar real
Psicoterapia com a Natureza
A natureza não está na PsiMater apenas porque nos faz bem estar ao ar livre.
Na natureza, algumas experiências deixam de ser apenas metáforas. Um caminho é realmente percorrido. Uma subida exige esforço. Uma encruzilhada obriga a parar. Um abrigo pode ser construído. Uma travessia torna o medo de avançar mais concreto.
É essa dimensão vivida que torna a natureza uma linguagem terapêutica.
A Psicoterapia com a Natureza pode acontecer com um grupo, um casal ou uma família. Cada pessoa faz o seu caminho, mas a presença dos outros torna visíveis ritmos, formas de apoio, escolhas, diferenças e modos de estar em relação.
No novo ciclo O Caminho da Seiva, um grupo pequeno atravessará oito encontros entre outubro e maio, acompanhando os movimentos do outono, inverno e primavera: abrir espaço, soltar, proteger, procurar, nutrir, nascer, crescer e integrar.
E o facto de muitas destas portas serem online?
Esta é uma das perguntas que mais frequentemente me fazem.
O online e o presencial não são contextos idênticos. Existem diferenças na experiência do espaço, no acesso ao corpo inteiro, na logística, na privacidade e na forma como utilizamos alguns recursos.
Mas diferente não significa, por si só, menos próximo, menos profundo ou menos eficaz.
O que a investigação nos permite dizer é mais específico, e mais interessante.
Uma meta-análise de 57 estudos sobre serviços de saúde mental e comportamental por videoconferência encontrou, em média, efeitos de tratamento largamente comparáveis aos das intervenções presenciais. Batastini e colegas, 2021, abrir estudo.
Uma meta-análise especificamente centrada na aliança terapêutica incluiu 18 publicações e não encontrou diferenças estatisticamente significativas entre videoconferência e presencial nas avaliações feitas por clientes ou terapeutas. Seuling e colegas, 2024, abrir estudo.
Na psicoterapia de casal e familiar, a base de investigação é mais pequena. Uma revisão sistemática de 37 artigos concluiu que o formato por videoconferência era viável e aceitável, e encontrou resultados encorajadores quanto à eficácia. Os autores salientam, porém, que a evidência disponível é mais limitada e não realizaram uma meta-análise. de Boer e colegas, 2021, abrir revisão sistemática.
Estas conclusões não significam que uma pessoa teria exatamente o mesmo resultado se fizesse a mesma psicoterapia online ou presencialmente.
A investigação compara resultados médios entre grupos. Não consegue prever o resultado individual de uma pessoa em dois cenários que nunca podem ser verdadeiramente iguais.
E esta limitação não existe apenas quando comparamos online e presencial. Também não podemos afirmar que a mesma pessoa teria exatamente o mesmo resultado com dois terapeutas diferentes, duas técnicas diferentes, dois momentos de vida diferentes ou mesmo dois processos presenciais diferentes.
A psicoterapia não funciona como uma experiência laboratorial em que conseguimos manter todas as outras variáveis iguais.
Por isso, a pergunta clinicamente útil não é se o online produz exatamente o mesmo resultado.
A pergunta é: este formato permite construir, para esta pessoa e para este problema, uma relação terapêutica segura, consistente e clinicamente adequada?
A adequação depende de fatores como a existência de privacidade, qualidade da ligação, idade e necessidades da pessoa ou família, nível de risco, preferências, capacidade de estar em relação através do ecrã e competências do terapeuta.
Tal como no presencial, a competência do terapeuta é central. No online, inclui saber criar presença e enquadramento através do ecrã, observar aquilo que é observável, perguntar pelo que não é visível, gerir a tecnologia sem deixar que ela ocupe o centro da sessão e adaptar técnicas sem empobrecer o processo.
Muitas das linguagens que utilizo podem ser mantidas ou adaptadas ao online: palavra, imagética, desenho, metáforas, trabalho corporal, Yoga Restaurativo, psicoterapia de grupo, casal e família. Algumas experiências, contudo, podem beneficiar de outro contexto, e é precisamente por isso que continuo a avaliar a adequação de cada porta.
Nenhuma destas portas é um destino
Uma pessoa não entra na Psicoterapia Individual e passa a ser uma “pessoa de terapia individual”.
Um casal não precisa de permanecer sempre em sessões conjuntas.
Uma família pode alternar momentos familiares e individuais.
Alguém que entra num grupo pode, num determinado momento, precisar de um espaço individual.
Uma pessoa que trabalha através do corpo pode descobrir que precisa de aprofundar uma relação.
E aquilo que emerge na natureza pode precisar de continuidade noutro contexto.
As portas podem comunicar entre si.
Na PsiMater, isso não é uma exceção. É parte da forma como compreendo o processo.
E se eu não souber qual é a minha porta?
Não precisas de saber.
Às vezes é bastante claro. Noutras vezes, existe apenas a sensação de que alguma coisa precisa de mudar.
Enquanto o novo site e os novos processos de inscrição estão a ser construídos, continuamos a fazer aquilo que sempre fizemos: conversamos.
Podes escrever-me e explicar brevemente aquilo que estás a viver e o que procuras.
Em algumas situações, uma breve conversa por WhatsApp é suficiente para perceber o passo seguinte. Noutras, pode fazer sentido uma consulta de avaliação.
O objetivo dessa avaliação é sugerir o melhor encaminhamento possível para aquela pessoa, casal ou família. Esse encaminhamento pode ser para uma porta da PsiMater, mas pode também ser para outro profissional, outra especialidade ou outro contexto de intervenção sempre que eu considerar que existe uma resposta mais adequada fora da PsiMater.
Por vezes, isso pode significar sugerir avaliação psiquiátrica, aconselhamento parental, acompanhamento individual para outro membro da família, consultas para uma criança, outro tipo de psicoterapia ou um contexto presencial. O importante não é encontrar uma solução dentro da PsiMater. É ajudar a encontrar a resposta mais adequada à situação.
As portas da PsiMater
Psicoterapia Individual Online. Quando é necessário um espaço individual, continuado e muito personalizado.
Psicoterapia de Casal Online. Quando aquilo que precisa de ser compreendido e transformado vive também no espaço entre duas pessoas.
Psicoterapia Familiar, online ou na natureza. Quando uma experiência ou dificuldade partilhada está a afetar a organização e as relações da família.
PGP Online, Psicoterapia de Grupo PsiMater. Quando a relação com os outros pode tornar-se parte ativa do processo.
Yoga Restaurativo Terapêutico Online. Quando o corpo e a regulação precisam de participar de forma mais explícita, antes, depois ou em paralelo com o trabalho de compreensão.
Desenvolvimento Emocional para Crianças e Famílias Online. Quando se pretende apoiar recursos, competências e desenvolvimento emocional e social num contexto grupal.
Psicoterapia com a Natureza. Quando o corpo, o símbolo, a experiência concreta e os ciclos naturais podem fazer parte do processo individual, relacional ou grupal.
O que vai acontecer a seguir
Na próxima semana vou começar a partilhar quais destas portas estão a receber novas pessoas, quais têm vagas limitadas, quais têm grupos em formação e como é possível dar o primeiro passo.
Não quero transformar esta conversa numa sucessão de anúncios. Quero apenas que, quando alguém se reconhecer numa destas possibilidades, saiba como começar.
Às vezes, a primeira porta é precisamente uma conversa.
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Este texto tem finalidade informativa e não substitui avaliação ou acompanhamento psicológico ou médico.
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